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"Não troco meu sabiá laranjeira pelo Mickey Mouse..."

POR RAFAEL FIORATTO 27/07/2021

Nem que passe trezentos anos ou cinco gerações eu vou aceitar que as produções Disney são elementos da cultura brasileira. E vejam, não sou iconoclasta, não sou negacionista, não sou xiita. Minha compreensão de cultura brasileira leva em consideração a antropofagia, aceita a deglutição dos produtos estrangeiros e uma nova formulação abrasileirada, afinal, somos o país mais mestiço e multicultural do mundo. (Pelo menos para mim, somos o país mais rico em diversidade.)


A diversidade brasileira inicia nas florestas, nos biomas, nas comunidades pequenas, em nossas grandes cidades, em nosso jeito múltiplo de fala, nas gírias, nas culinárias regionais, nos festejos e nas manifestações populares. Temos rico folclore, imaginários indígenas, mitologias africanas e lendas europeias. Não troco meu sabiá laranjeira pelo Mickey Mouse.


Quando o assunto é produzir cultura, multiplicar, ensinar e vivenciar experiências eu só acredito em trabalho sério se for pensado através de três pilares:

01 Participação popular

02 Pesquisa

03 Criação


É muito importante que a comunidade, o artista local, os artesãos e todos os interessados em cultura participem desde a pré produção até o apagar das luzes. É desta forma que atingimos o principal objetivo que a cultura propõe dentro de um grupo, o sentimento de pertencimento.


Pesquisar é importante para que o fazer cultural tenha conteúdo e se faça dialogar com o processo educacional. É importante ter embasamento para que as produções não fiquem somente no verniz que lustra, dá brilho e o conteúdo pode estar vazio ou cheio de qualquer coisa.


A criação é parte do crescimento do indivíduo e do coletivo. Criar, ou simplesmente modificar aquilo que se conhece é fundamental para que o inesperado aconteça e transcendência seja possível. O inédito transcende o plano físico e provoca o questionamento, a inevitável expansão mental que se dá com o conhecimento.


Levando em conta que fomentar os grupos culturais, promover aulas de técnicas, de plástica, de conteúdo local, de história e cultura em geral é dar ferramentas para que nossos agentes culturais se apropriem não só de discurso, mas de conteúdo.

Neste contexto, promover a Disney não me agrada, não me cabe e me parece uma maneira equivocada e cambeta de copiar o estrangeirismo dando a estes monstrengos aspectos equivocados.


Vão dizer que Rafael é amante de Saci, fã do Caipora e devoto da Iara. Não se trata disso, nosso folclore é rico? Sim. Mas é justamente a falta de contato com a cultura brasileira, a preguiça ou o desinteresse que nos limita expandir a valorização do que temos de melhor. Cultura brasileira não está resumida no Sítio do pica-pau amarelo ou na Turma da Mônica, embora eles também estejam incluídos em nosso imaginário, quando se fala em fazer algo brasileiro, na maioria das vezes são estes os mais recorrentes.


Como brasileiros temos que nos abrir aos novos rumos e nos pautarmos em nossa história. Quem promove cultura e educação precisa de uma constante pesquisa, um eterno renovar-se.


Para não ficar preso no castelo da Cinderela e alcançar voos incríveis através da criatividade e imaginação inerente do brasileiro irreverente, inédita e colorida.










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