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POR RAFAEL FIORATTO: Cará roxa, taioba e muita cultura brasileira no quilombo da Casa da Farinha

Por Rafael Fioratto, 18/10/2021

Voltei em Ubatuba e a casa da farinha agora é parte das visitas obrigatórias do passeio. O quilombo é repleto de histórias interessantes e eu sempre aprendo a cada visita. Na primeira eu conheci a Luciana, filha do grande mestre do quilombo que tinha falecido trinta dias antes de minha chegada.

Agora fui conhecer a barraca ao lado da casa de farinha, bancos de tábuas, muito rústica e ali dentro estava uma senhora séria, mas simpática. Ela não cativa por ser expansiva e sorridente, ela chama a atenção por ser educada, cordial e professora, pois teve prazer em me ensinar e oferecer o que ela tinha de melhor: a sabedoria ancestral de seu povo. - O que são essas batatas roxas na caixa?

- São carás. Muito raras, a gente colhe somente uma vez por ano. Você veio na época certa. Quer provar? Eu aceitei e ela pegou uma cará cozida, quebrou ao meio, me deu uma parte e comeu a outra. De arrepiar, ela dividiu comigo a experiência. Eu provando pela primeira vez e ela tendo a certeza de que aquela estava boa para me encantar. - E esses bolinhos são de quê? (Eu já esperava que fossem de algum produto local) - Tem bolinho de salada quilombola, de aipim com taioba e só de taioba. - O que é salada quilombola? - É o coração da bananeira. Eu trato ele, deixo uma delícia. Pedi então um bolinho de cada para provar. - Tem suco de Cambuci. Você vai querer? Quero sim.

Curioso é que tenho uns dois quilos de Cambuci congelado em casa e nunca provei o suco. Foi até melhor, a partir daquela experiência vou ligar o novo sabor ao sabor da barraca. Ela saiu e foi lá pra dentro preparar o suco.

Um caminhão baú parou perto da barraca e abriu a porta lateral. Vieram umas seis crianças e ficaram penduradas na lateral da porta, logo em seguida chegaram as mães. Foi aí que entendi do que se tratava. Como o quilombo fica longe de supermercado, o mercado vai até o quilombo. As vendas são feitas ali mesmo no caminhão. As crianças queriam frutas, falavam muito em mangas e morangos. Uma das mulheres mandou colocar a compra na conta da "falou o nome da mãe". Eu fiquei ali observando tudo como quem assiste um filme sobre o Brasil e suas peculiaridades. É de arrepiar e de emocionar poder ver de perto outras formas de viver, de comprar...


Volta a senhora com meu suco de Cambuci, meus bolinhos e o que experimento a seguir não sei descrever. São sabores que só indo lá na casa da farinha você vai conhecer.

Se você ficou curioso para saber um pouco mais, vai lá no YouTube no canal Raribu e conheça um pouco sobre a casa da farinha através deste link: https://youtu.be/Jgd9gAcSxX8



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