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"A publicidade velada do fumo"

23/08/2021 – por Rafael Fioratto

... “A propaganda do cigarro foi proibida porque se trata de uma propaganda enganosa, de um produto que faz muito mal à saúde a médio e longo prazo”, declarou o ministro da Saúde, José Serra. (Ministro da saúde no ano 2000)


No ano 2000 a publicidade de cigarros e artigos relacionados ao tabaco passou a ser proibida em veículos de comunicação. Antes das restrições, os comerciais que vendiam a ideia de poder, liberdade e bem estar através do fumo mostravam em seu conteúdo homens rústicos, cowboys, automobilistas e até esportistas consumindo cigarros. Na televisão, até mesmo os personagens fumantes foram reduzidos. Boni, então vice-presidente-executivo da Globo, estipulou que o personagem só fumaria se fosse estritamente necessário para compor uma característica e quem fumasse na história tinha que ter um destino ruim.


A Anvisa divulgou que entre 1989 e 2010, 33% dos brasileiros deixou de fumar depois que medidas restringindo a propaganda de cigarros foram adotadas. O cigarro que tinha fins terapêuticos e calmantes divulgados pela bilionária indústria do tabaco, hoje em dia é visto como um grave problema de saúde. Tanto que nas embalagens de cigarros diversos tipos de doenças relacionadas ao fumo advertem as possíveis consequências trágicas do uso constante de cigarros. Se antes os fumantes eram vistos como pessoas emancipadas, bem resolvidas e adultas; hoje a grande maioria da população os veem com uma dependência, um problema a ser resolvido.


Assistindo a séries e filmes produzidos por plataformas de streaming, pela Netflix para ser mais exato, percebi que esse cuidado com a não apologia ao tabaco, não existe. Pelo contrário, a presença de personagens fumantes e de cigarros sendo romantizados em cenas instigantes é constante e chamou minha atenção. Estaria a indústria do tabaco ressurgindo com suas propagandas e apologia ao cigarro de maneira silenciosa? Prestem atenção na quantidade de cigarros sendo fumados nessas produções.


Fato é que a dependência do fumo é cruel como qualquer outra droga que vicia. O risco de desenvolver câncer é muito alto e não é só câncer no pulmão, existem diversos tipos que se desenvolvem em várias partes do corpo de maneira silenciosa diretamente ligados ao tabagismo. É preciso voltar a falar sobre as consequências negativas do cigarro, pois 22 anos após a vigência da lei que limita a propaganda, outros meios estão aparecendo e convencendo as pessoas de que o cigarro seduz e induz ao charme de ser descolado. É preciso falar que o cigarro mata, silenciosamente, ele mata.



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